Wednesday, March 10, 2010

Dia 37 (06/03) - Sedona


Sedona fica a mais ou menos duas horas de Phoenix, por isso decidimos ir para lá no sábado mesmo. Chegamos, fizemos os hookups no camping mais cheio de exigências que já vi (cães que latem não serão tolerados, entre outras), e fomos conhecer a cidade. Sedona foi fundada em 1902, no meio de um canyon, por isso para onde você olha, vê pedras avermelhadas, riscadas com régua pelo vento, pela chuva, pelos rios. Cada pedra tem um nome e alguns delas são chamadas vórtex pelo pessoal mais místico. Eles dizem que nelas ha uma concentração de energia sem igual. De fato, estar em Sedona é uma experiência mística. A cidade tem mesmo qualquer coisa de inexplicável. Minha amiga Liz tentou me explicar uma vez, mas desistiu e finalizou dizendo: vá! É bem isso mesmo.
Resolvemos almoçar num restaurante típico. Mais uma experiênia única. De etrada, cactus fritos! Uma delícia, juro! Ainda tomamos margueritas feitas da flor do cactus e, por isso, num rosa choque sem igual. À tarde, resolvemos ter um momento de indulgência e nos enfiamos num spa para uma massagem diferente e revigorante. É que trataments de beleza são quase um ponto turístico do lugar. Pra fechar o dia cheio de novidades, vimos A Sigle Man no único cinema da cidade.

Saturday, March 6, 2010

Dia 36 (05/03) - Amor de índio


Ano passado fizemos um programa sobre amores interculturais. Havia uma brasileira casada com um londrino, uma com um canadense e a mistura entre portugueses e brasileiros em Newark, New Jersey. Sempre gostei do assunto. Pensei até em fazer o doutorado na Columbia tendo ele como tema, mas acabei deixando isso de lado quando o projeto do Planeta Brasil na estrada virou realidade. O curioso era que qundo eu perguntava o mais atraía essas pessoas no companheiro, o discurso era parecido: para os americanos, o lado bom do brasileiro era o apego à família. Para as brasileiras, os americanos eram pouco machistas. Aqui em Phoenix, no entanto, esbarramos numa história que eu jamais previra. Andrea é uma gaúcha que vive há doze anos no Arizona e é casada com um native american, ou seja, um indígena americano, da tribo apache. Tom é bem urbanizado, apesar de ter passado a infância na aldeia. Tem o inglês como primeira língua, mas fala português melhor que muito brasileiro, Apache? Bem, ele já não se lembra muito... Os pais ainda vivem na aldeia, eles comem comida apache sempre que possível (nós provamos o tal do fried bread e o indian taco, deliciosos), os filhos dormiram em bercinho apache e têm lindas caras de índio. Andrea diz que um aprende muito com o outro. Ele é tranquilo, simpático, mas reservado. Ela, mais falante aberta. E assim, eles vão se equilibrando. Uma coisa além das palavras chamou nossa atenção. A troca de olhares entre pai e filhos era poderosa. Bastava Tom virar de relance para os dois se calarem, subirem para o quarto ou fazerem bagunça. Eles sabiam direitinho qual era a ordem presente naquele olhar. Depois ainda passamos na Casa Brazil, uma fundação que hoje conta com mais de 50 voluntários (o Arizona tem mais ou menos 3 mil imigrantes brasileiros) que arrecadam verbas para mandar alimentos para o Brasil. E fechamos a noite comendo pizza e vendo a estréia de Alice no país das maravilhas em 3D. Phoenix já deixa saudades.

Friday, March 5, 2010

Dia 35 (04/03) - Top models


Há mais ou menos uma semana as meninas da assessoria de imprensa da Tv pediram que a gente enviasse fotos da viagem, com o motorhome de fundo. Como não conseguíamos tirar da equipa inteira (somos apenas dois, então rola um "me filma que eu te filmo"), resolveram chamar um fotógrafo que veio ao camping entre uma gravação bacana (com a Cristiane, que tem o desafio de criar uma filha com uma doença hematológica grave) e outra (com o Seu Bernando, conterrâneo capixaba de 108 anos - seguramente o imigrante mais velho do mundo). As duas entrevistas foram cheias de lições, mas nada foi tão engraçado quanto ver o Chico posando de modelo. Rolou mãozinha no bolso de tudo! Até Pinduca e Dindi entraram na onda.

Dia 34 (03/03) - Trem das cores


Se tem um lugar no mundo com franja da encosta cor de laranja, capim rosa-chá e cé de azul ímpar é o Arizona. Nunca pensei que pudesse ficar arrepiada simplesmente por ver uma paisagem, mas foi o que aconteceu no caminho de Las Vegas para cá. Pareciam jardins de cactos, mas daqueles grandões, de dez metros de altura, saídos do desenho do Pica-pau, ou de um filme do John Ford (vários, aliás, foram gravados aqui, inclusive The Searchers, que resolvemos ver assim que pisamos esta terra prometida). Quase oito horas de uma viagem linda. Paramos para almoçar no meio do caminho e, pela primeira vez, em vez dos restaurantes de beira de estrada, resolvemos comer no motorhome. Saladinha com panquecas e seguimos viagem. O caminho é tão longo que até o fuso mudou! Agora estamos a 4 horas do Brasil. Chegamos ao camping já à noite, mas deu para sentir que é um lugar especial.


Wednesday, March 3, 2010

Dia 33 (02/03) - Descobrindo a verdadeira Las Vegas


Nosso segundo dia de gravação foi um luxo! Guto, motorista de limosine, foi nos encontrar no camping. Chegou com a mulher, Cintia, que também já dirigiu carros de luxo em Las Vegas. Convidei os dois para lanchar em casa e o primeiro mico já veio na hora do cafezinho: não tinha açúcar. Busquei uns envelopinhos na recepção do camping e seguimos conversando bastante. Atualmente, Cintia trabalha distribuindo cartas em jogos de poquer e acabou nos revelando o mundo de pecados da Sin City. Todos os funcionários de cassinos são trenados e aprendem a contar cartas, como a gente vê nos filmes, para que possam identificar jogadores que usam isso para desfalcar os cassinos. Cada cassino tem o equivalente a um banco nos bastidores, porque os ganhadores têm de ser pagos na hora. Como contar tanto dinheiro? Os funcionários usam máscaras, para evitar inalar a grande quantidade de cocaína presente nas notas. E isso é só o começo. Decidimos passear pela cidade no carrão do Guto (nosso vizinhos de Rv pediram para tirar foto e tudo!). Guto nos contou das caronas que dá a milionários, Um deles chegou a deixar 100 mil dólares com ele, no banco de trás do carro, enquanto dava "um pulinho" dentro do cassino. Outro ofereceu uma grana para que ele fizesse sexo com a mulher dele, que tinha tara em limo driver. E por aí vai.

Para respirar de tudo isso, depois da última gravação, já bem tarde, fomos ver mais um Cirque du Soleil. Mystere é bem mais performático que Love. Lembra Saltimbanco e Alegria, deixa gente de boca aberta. E prontos para pegar a estrada para Phoenix, amanhã.

Dia 32 (01/03) - Dentro do Globo da morte


O primeiro dia de gravação em Las Vegas começou mostrando um pouco do que é a vida no mundo do entretenimento. Fomo a um circo, onde o brasileiros Neco faz espetáculos no Globo da Morte. Sempre foi meu número mais detestado no circo, aquele em que eu baixava a cabeça no colo da minha mãe. Só o barulho já me fazia tremer da cabeça aos pés. Pois hoje, não só vi o número inteiro (assustada, como sempre), como entrei no globo enquando Neco fazia acrobacias! Poxa, se eu sou capaz de dirigir um caminhão puxando um carro vou ficar com medo de uma motoca? Siiiiim!!! Nunca tremi tanto!

Mais desafiador que isso foi entender a vida daquelas pessoas. A trupe do circo normalmente nasceu sob a lona. É coisa de família. E tem mesmo que ser, para fazer tudo valer a pena. Primeiro desafio: eles moram em trailers. Se para a gente, que tem tempo determinado para a aventura, é uma barra, imagina passar a vida assim, sendo a casinha tem que ser dividida entre uma família inteira. No caso da Luciana, dançarina brasileira da mesma companhia, vivem ela, o marido e três filhos. Segundo desafio: é um mercado complicado, cheio de altos e baixos. Em época de crise, por exemplo, mal dá para pagar as contas. Terceiro desafio: vivendo sem endereço fixo, coisas básicas, como a educação das crianças, acabam tendo de ser negligenciadas. Os filhos da Luciana, por exemplo, fazem home school, mas já seguem os passos dos pais. Romarinho é malabarista. A do meio, contorcionista e o pequeno, ainda com cinco anos, por enquanto só corre de um lado pro outro. Tudo isso em nome de uma crença na arte e na genética. Todos eles falam no "sangue do circo" e tratam a gente como "pessoas da cidade". Com tanta coisa nova na cabeça, dormir, foi mais difícil que engolir facas.


Dia 31 (28/02) - À procura do caneiro de chifre longo


Depois da cara de caroço de caju do bartender, resolvemos procurar o que fazer em Vegas por conta própria. Estávamos de saco cheio de ver construções, prédios, hotéis, luzes de neon. Chico descobriu, num guia, o Red Rock Canyon, a 16 milhas de Vegas. Partimos para lá bem cedo e, caramba, que paisagem incrível! As pedras vermelhas se misturam a montanhas com neve no topo, formando um deserto muito peculiar. Não existe nem sombra de paisagem como essa no Brasil, por isso as coisas ganham um ar de ineditismo que deixa tudo ainda mais fascinante. O lugar foi um oceano em algum tempo muito remoto e dessa época restam apenas alguns laguinhos que são fonte de vida para os carneiros de chifre longo, que compõe a maior população dessa área onde não mora ninguém. Há placas por todo lugar avisando que os tais bichos estranhos vivem ali e no guia mesmo havia recomendações de que a gente tomasse cuidado com os furiosos. Mas no fim das contas, foi muito barulho por nada. Pegamos uma scenic drive que dura mais de duas horas e nem mesmo um carneirinho apareceu.

Saímos de lá às pressas para ver O Rei Leão, que não vi na Broadway, mas me havia sido recomendada por muita gente. Confesso que imaginar um teatro em que gente se evste de bicho me apavorava um pouco, mas nesta montagem eles fazem isso com uma elegância de tirar o fôlego. As músicas de Elton John deixam tudo ainda mais mágico. Parece que a gente está num sonho. E vocês não acreditam em que estava por lá, no cantinho do palco. O carneiro de chifre longo! Pelo menos por alguns instantes eu quis acreditar que aqueles atores eram de verdade para contar em casa que fiquei cara a cara com o bicho mais temido do deserto. Viva a Broadway!